Archive for Cotidiano

Ampliação do debate e uso da força

I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it”

 Evelyn Beatrice Hall

Essa citação que é, de forma incorreta, atribuída a Voltaire diz, em tradução livre: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de o dizer”.

Sou pelas liberdades do indivíduo, e acho importante deixar claro isso. Não sou crente de nenhuma religião, inclusive discordo do conceito (as regras e dogmas massificam e impedem a tal liberdade de cada um). Mas ser religioso e não me incomodar tá de boa.

O problema é quando alguém tenta impor sua vontade. Isso é primitivo. As sociedades democráticas precisam viver com a diferença. Perceba que não acho que a democracia deva ser uma ditadura da maioria, não é isso. Mesmo a maioria, a meu ver, não tem o direito de impor sua vontade em questões de cunho pessoal, aquelas que só dizem respeito ao indivíduo.

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Fechando o caixão do ensino médio

Triste ler a declaração atribuída ao MEC, que desmoraliza de forma definitiva o ensino no país, sobre a correção das redações do ENEM.

(…)ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior.

Se o sujeito que sai do ensino médio, na visão do MEC, ainda não deve saber escrever, estamos perdidos.

No site do Estadão e no site dO Globo você pode ler sobre os candidatos que avacalharam a redação do ENEM. Teve gente escrevendo receita de macarrão instantâneo, e teve gente transcrevendo hino de time de futebol.

Liberdades individuais e o Papa Francisco

Papa Francisco

As primeiras informações que recebi, acho que todos receberam, sobre o novo Papa resumiam-no a um “conservador”. A leitura do texto do Elio Gaspari no site do O Globo serviu para mostrar que o mundo não é tão preto no branco assim para o Papa Francisco.

Vou reproduzir, como fez o Elio Gaspari no fechamento do seu texto, um excerto do livro ‘Sobre el cielo y la tierra’ de autoria do Pontífice:

O religioso às vezes chama atenção sobre certos pontos da vida privada ou pública porque é o condutor da paróquia. Ele não tem direito de se meter na vida privada dos outros. Se Deus, na Criação, correu o risco de nos tornar livres, quem sou eu para me meter?

Sem mais.

Máquina de escrever USB

Não sei se ajuda a prevenir LER, mas achei bem interessante.

Brincadeira erudita de botequim – II

bar

Mais um desafio da série de entretenimento (ou devaneio) etílico. Vamos manter a diversão sem perder a generalidade. Mesmo quem não frequenta os ambientes leves e descontraídos desses modernos templos bacantes pode se divertir.

O sofisma do empréstimo

“Um incauto encontrou uma oferta de uma garrafa de Jack Daniel’s (ou de água benta, ou uma corneta ungida – fica a seu critério) por R$ 97,00 (noventa e sete reais).

Como estava momentaneamente desprovido de recursos, pediu dinheiro emprestado para 2 (dois) amigos (ou irmãos, ou parentes, ou paroquianos – adapte como quiser). Cada um deles lhe ofereceu uma nota de R$ 50,00 (cinquenta reais). Nosso pequeno gafanhoto, então, ficou de posse de R$ 100,00 (cem reais).

R$ 50 + R$ 50 = R$ 100

Depois de realizar a compra (você deve ter escolhido o que ele comprou lá em cima, vou parar de ajudar nas adaptações – você já deve ter entendido) devolveu R$ 1,00 (um real) para cada um dos credores e manteve o outro R$ 1,00 (um real) no bolso.

R$ 100 – R$ 97 = R$ 3

Se cada um dos credores emprestou R$ 50,00 (cinquenta reais) e recebeu R$ 1,00 (um real de volta), ainda precisa receber R$ 49,00 (quarenta e nove reais).

Agora danou-se! Se multiplicarmos 49 (quarenta e nove) por 2 (dois) obteremos 98 (noventa e oito), que somados ao R$ 1,00 (um real) que o nosso amiguinho manteve no bolso resultam em R$ 99,00 (noventa e nove reais)

R$ 49 + R$ 49 = R$ 98
R$ 98 + R$ 1 (mantido no bolso) = R$ 99,00

Onde foi para esse R$ 1,00 (um real) que falta?”

Não deixe de ver o post do sofisma do bar.

Arquitetura e estupidez (parte 2)

banheiro conservatório de música

Banheiros transparentes

O 100devaneios já mostrou os prédios envidraçados que acabam funcionando como estufas. A coisa só está piorando.

Parece que o uso de vidros e transparências na arquitetura chegou a um novo patamar. Juntando a falta de raciocínio com o descaso para com os usuários, uma leva de prédios públicos com banheiros transparentes foi construída aqui mesmo no Brasil.

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Anedota, piadinha ou pequeno chiste do consultor

Ouvi essa história há muito tempo, e continuo lembrando dela sempre. De vez em quando, sinto vontade de fazer um negócio parecido.

“Um consultor foi chamado para resolver uma grave inconsistência nos dados recuperados por uma aplicação crítica rodando em computador de grande porte.

Depois de 30 segundos olhando um monitor de terminal, murmurou alguma coisa incompreensível, abriu a mochila e tirou uma chave de fenda!? Foi até uma das unidades de fita e apertou um parafuso de sustentação ¼ de volta.

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Arquitetura e estupidez

As janelas são aberturas em paredes que permitem a passagem, principalmente, de luz e quando não estão fechadas permitem a passagem de ar e sons. Janelas fechadas com vidro foram utilizadas pela pela primeira vez durante o Império Romano, antes eram fachadas com peles de animais, roupas ou madeira.

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Abondono

Quando estive em Conservatória (distrito de Valença-RJ), pude caminhar pelo percurso da antiga ferrovia que passava pelo lugar. Parece que os túneis e pontes abandonados faziam parte da antiga linha da Barra. A estação da cidade teria sido desativada em 1961.

Túnel abandonado da antiga ferrovia 'linha da Bara' em Conservatória - Valença/RJ

túnel abandonado da antiga estrada de ferro

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Pérola Irregular

Hoje estava pensando em nada, aproveitando meus dias de férias e me lembrei de um soneto barroco que li na faculdade há algum tempo.
Todo o texto é rico em questionamentos com os quais me identifico muito, mas é no último terceto que encontro as não-respostas para as minhas questões.

“Von Wellen umbgejagt nicht kan zu Rande finden.
Ich weis nicht was ich will/ ich will nicht was ich weis
Im Sommer ist mir kalt/ im Winter ist mir heiss.”
(Francisci Petrarcae- Martin Opitz)

Minha proposta de tradução:
[…] e que através do mar revolto não consegue encontrar margem.
Não sei o quer quero/ não quero o que sei
No verão sinto frio/ no inverno sinto calor.

ps: O texto está escrito em alemão da Idade Moderna porque foi retirado do original.